Em agosto ninguém pensa no Natal. E é precisamente esse o problema: quando o joalheiro se lembra da embalagem de festa já é novembro, os prazos comeram a margem e resta escolher entre o que há disponível em vez do que se queria.
A campanha de dezembro não se ganha em dezembro. Ganha-se agora, com um exercício muito simples: contar para trás a partir do dia em que o cliente entra na loja.
A contagem decrescente, a partir de dezembro
Esta é a sequência que funciona numa joalharia de rua ou numa pequena loja online. Leia-a de baixo para cima, que é como se planeia:
- 15 a 31 de dezembro — pico absoluto. Aqui não se encomenda nada: consome-se. Tem de estar tudo já na retaguarda.
- 1 a 14 de dezembro — arranque forte. Última janela para uma reposição urgente do que estiver a esgotar, e apenas se o fornecedor tiver stock imediato.
- Novembro — Black Friday e compra antecipada. A embalagem tem de estar na loja, não a caminho.
- Outubro — receção e montagem. Contar unidades, montar a montra, formar a equipa.
- Setembro — encomenda firme. É o mês que decide a campanha.
- Agosto — escolher a gama e pedir amostras. Rápido, barato e sem compromisso.
Se está a ler isto em agosto ou no início de setembro, vai a tempo. Se for novembro, salte diretamente para os prazos.
Os dois prazos que condicionam tudo
Quase todo o planeamento se resume a dois números:
- Embalagem padrão, sem personalizar: 2 a 5 dias em Espanha e 4 a 9 dias no resto da Europa. Um prazo confortável, que permite reagir mesmo em novembro.
- Embalagem com o seu logótipo: 21 dias. Aqui não há atalho. É preciso preparar o cliché, estampar e verificar o resultado.
Traduzido em datas: se quer os estojos personalizados na loja no início de novembro, a encomenda tem de ser feita na primeira semana de outubro, o mais tardar, com a decisão de design fechada antes disso. Cada semana de atraso na decisão come uma semana de venda, não de produção.
O que esgota primeiro, e raramente é o que se pensa
A experiência das campanhas anteriores é bastante constante. O primeiro a desaparecer não é o mais caro, mas o mais transversal:
- Estojos de anel e de pendente em cores neutras. São a maior fatia do presente de Natal.
- Sacos de papel médios, porque servem para tudo e gasta-se um por venda.
- Caixas de expedição com proteção, se também vende online. Dezembro multiplica encomendas e incidentes.
- Fitas personalizadas, normalmente pedidas tarde por parecerem um detalhe menor.
Vale a pena rever agora os seus estojos de luxo para joias, os seus sacos e bolsas e os seus acessórios e caixas de expedição com uma lista na mão, e não de memória.
Quanto encomendar sem encher o armazém
A regra prática é simples: pegue nas vendas do dezembro passado, some o crescimento que espera e acrescente uma almofada de 15 % para reposições e erros. Essa almofada é barata; ficar sem estojos a 22 de dezembro não é.
A embalagem tem ainda uma vantagem sobre a joia: não caduca nem sai de moda num ano, sobretudo se escolher coleções neutras. O que sobrar em janeiro usa-se em fevereiro. Por isso compensa atingir os escalões de desconto (5, 10 e 15 %; o número de unidades de cada escalão consta da ficha de cada série) com uma única encomenda maior em vez de três pequenas que pagam três portes.
O erro de deixar o logótipo para o fim
É o erro mais repetido. A personalização é vista como um extra opcional e vai sendo adiada. Mas o cunho é um pagamento único de 30 euros: uma vez feito, as reposições dos anos seguintes já não o pagam. Quanto mais cedo se fizer, mais encomendas o amortizam.
Há uma segunda razão. O Natal é a campanha em que mais pessoas conhecem a sua marca pela primeira vez, porque é um presente e quem abre a caixa normalmente não é quem a comprou. Se a tampa tiver o seu nome, essa pessoa sabe onde voltar em fevereiro. Explicamos em detalhe no guia de embalagem personalizada com logótipo.
O que fazer esta semana
- Contar o stock que realmente sobrou da campanha passada, modelo a modelo.
- Escolher duas ou três coleções e pedir amostras de uma unidade para as ver no seu balcão e com a sua iluminação.
- Decidir se este ano avança com logótipo. Se sim, fechá-lo em setembro.
- Definir o orçamento e usar uma só encomenda para chegar ao escalão de desconto.
- Reservar um estojo ou saco diferente para o presente de gama alta: a diferença entre uma venda de 60 euros e uma de 600 tem de notar-se ao abrir.
Para ideias concretas de gama e apresentação, veja o nosso artigo com ideias de embalagem de joias para o Natal, e para trabalhar o momento da abertura, o da experiência de unboxing.
Prefere que vejamos isto em conjunto? Escreva-nos com a sua previsão de campanha e preparamos um orçamento com amostras, prazos e datas limite para chegar a dezembro sem sobressaltos.